O Natal não fracassou. É a recordação de que o amor de Deus não volta atrás ...
Amanhã é Natal. A frase foi recebida com surpresa pelo grupo de peregrinos que se preparava para o jantar, após um extenuante dia de julho, que começara em Nazaré, passara pelo Mar Morto e estava a terminar a 13 quilómetros de Jerusalém. Quem proferiu a frase foi a guia turística Silvana, olhos azuis, cor de jambo, denotando sangue árabe. Ela tratou de explicar: estamos em Belém e, para nós, esta noite é santa e nela festejaremos o nascimento de Jesus. A proposta foi aceite e o sono dos turistas foi povoado pelo canto de anjos, anunciando Paz na Terra. Na manhã seguinte, manhã cheia de luz, o grupo, com roupas de festa, dirigiu-se à gruta de Belém. Recuando dois mil anos, novos pastores olharam silenciosamente para o humilde berço de nosso Deus, não conseguindo impedir as lágrimas.
Numa de suas inesquecíveis canções, Padre Zezinho proclama: “Tudo seria bem melhor, se o Natal não fosse um dia e se as mães fossem Maria e se os pais fossem José! E se os filhos se parecessem com Jesus de Nazaré”. Dois mil anos são insuficientes para entender a magia daquela noite santa, que a Bíblia define como Plenitude dos Tempos.
A nossa grande miopia é supor que o Natal é apenas um dia. Uma noite santa, cheia de bons sentimentos, ternura e presentes. Depois a vida continua da mesmo maneira.
Não longe de Belém, os homens-bomba esperam pelo melhor momento para matar irmãos. Em Belém e em todas as partes do mundo há corações empedernidos pelo ódio, há crianças, doentes e idosos abandonados à própria sorte. Não é este o Natal que Jesus pretendia.
Natal é o anúncio de que o fatalismo e todas as maldições foram derrotados. Natal é o anúncio que uma nova história está em curso. É a História da Salvação. É o anúncio de que o amor misericordioso de nosso Deus nos visitou e permanecerá connosco para sempre.
Natal não é um dia, mas o começo de um tempo novo. Também o batismo não é um dia, mas uma vida. O casamento não é um dia, não é apenas uma festa, mas um amor eterno. O domingo também não é um dia, mas uma pausa para mudar todos os dias da semana.
Há dois mil anos festejamos o dia de Natal e a história humana parece não mudar - ou até muda para pior. Mesmo assim precisamos continuar a celebrar a noite natalina. Apesar da insensibilidade humana, apesar das tragédias e crimes, o Natal não fracassou. É a recordação de que o amor de Deus não volta atrás.
Num dia ainda desconhecido, pode ser nos próximos milénios, o Natal acontecerá de verdade. Por enquanto, precisamos de continuar a festejar o Natal, não como um facto acontecido “naquele tempo”, mas que tem tudo a ver com esse nosso conturbado 2013. Natal é profecia e essa profecia está em curso. Ninguém poderá detê-la.
A. C.
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